Antes e depois: imagens mostram como ficou ponte que desabou e deixou quatro feridos no Acre
07/06/2026
(Foto: Reprodução) Veja o antes e depois de ponte que desabou com quatro pessoas no Acre (Imagens: Figueroa Xavier)
A Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões.
Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão, o que dá cerca de 139 metros.
Imagens de drone feitas pelo videomaker Figueroa Xavier no dia 29 de dezembro de 2024, pouco mais de um ano após a inauguração, mostravam como era a ponte antes do desastre. Xavier também fez registros em vídeo da ponte na manhã deste sábado (6), menos de 24 horas após o desabamento. (Veja no vídeo acima)
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A estrutura estava interditada desde quinta (4) devido ao risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança mostram que quatro pessoas ultrapassaram o bloqueio e passavam no momento do acidente. Todas ficaram feridas. Clique aqui para saber quem são os feridos.
Veja o que se sabe sobre o acidente
Em nota, o governo do Acre afirmou que as responsabilidades pelo desabamento recaem sobre a construtora (leia mais ao final do texto). A Construtora Cidade Ltda informou que deve se posicionar sobre o acidente neste domingo (7).
Ao g1, a Construtora Construtora Cidade Ltda informou que as rachaduras na ponte foram identificadas há uma semana por uma equipe técnica da empresa e que recomendou a suspensão da passagem de veículos e pedestres na estrutura.
"Diante desse cenário, a Construtora Cidade mobilizou profissionais especializados das áreas de engenharia estrutural, fundações e topografia para avaliação das condições locais. Os levantamentos preliminares realizados em campo identificaram movimentações significativas de solo em uma área muito mais ampla do que a própria ponte, abrangendo aproximadamente 16 mil metros quadrados e alcançando também áreas adjacentes do bairro localizado nas proximidades", diz trecho da nota (leia na íntegra ao final do texto).
Como era e como ficou a Ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou em Sena Madureira, no Acre, deixando quatro feridos
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À época da abertura, a Prefeitura de Sena Madureira estimava que 2,5 mil pessoas seriam beneficiadas pela passagem, que ligava os dois distritos do município.
Os escombros seguem no leito do Rio Iaco enquanto os bombeiros e Defesa Civil estudam maneiras de retirar o material.
Inquérito
A Polícia Civil confirmou que instaurou um inquérito para apurar as causas do desabamento. A investigação deve ser concluída em 30 dias.
O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, confirmou ao g1 neste sábado (6) que peritos do município já fizeram uma perícia preliminar no local do desmoronamento. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foram designados para conduzir a investigação.
O Ministério Público do Acre (MP-AC) também confirmou que a Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira instaurou um procedimento para apurar as causas do acidente. O órgão solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma perícia na área do acidente para identificar se houve falhas no projeto, na execução da obra ou na utilização do material.
Ponte interditada desaba no Acre
Apuração
Em nota, o governo do Acre afirmou que as responsabilidades judiciais que recaem sobre a construtora Cidade.
Ainda segundo o governo, a obra foi contratada na modalidade integrada, e a Construtora Cidade ficou responsável por todas as etapas: projeto básico, projeto executivo e execução da obra. A empresa também respondeu sozinha pelas decisões técnicas que definiram o projeto e a construção.
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A obra foi recebida de forma definitiva em 19 de janeiro de 2024. De acordo com o Código Civil, o empreiteiro responde por cinco anos pela segurança e estabilidade da obra. Por isso, a empresa ainda está dentro do prazo de garantia e pode ser responsabilizada por eventuais danos.
Ainda na nota, o governo aponta como possível causa para o desmoronamento a movimentação do solo às margens do Rio Iaco. O processo é conhecido como “terras caídas” e ocorre todos os anos, com períodos de cheia intensa e seca severa, influenciados por mudanças no clima na região Amazônica.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) vai adotar as medidas judiciais necessárias. Dentre elas:
Pedido de decisão antecipada para obrigar a empresa a reparar, reconstruir ou apresentar outra solução para a travessia, sem custos para o poder público
Garantia de assistência aos feridos.
"O Estado acompanha de perto os desdobramentos do ocorrido, presta solidariedade às famílias afetadas e assegura que todas as providências administrativas e judiciais serão tomadas para responsabilizar os culpados e restabelecer a mobilidade da população do Segundo Distrito de Sena Madureira com rapidez e responsabilidade jurídica das partes envolvidas", diz parte do comunicado.
Trabalhadores feridos em desabamento no AC estavam na ponte: 'Encostei no fundo do rio'
Relato de sobrevivente
Weverton Murieta, um dos sobreviventes do desabamento, relatou que ele e os outros três feridos estavam sobre a ponte no momento do desastre.
Ele trabalhava com Antônio Morais Filho descarregando um caminhão de mercadorias e voltavam para casa quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei Muniz, em cima da ponte.
Weverton recebeu alta na manhã deste sábado (6). Conforme o trabalhador, Edinaldo pediu a eles que mostrassem a rachadura na ponte e eles decidiram acompanhar o ex-magistrado.
"Eu disse: 'Rapaz, então bora acompanhar ele, que é doutor'. Ele perguntou para mim onde é que era a falha da ponte, pediu para ir com ele, aí quando eu passei na frente para mostrar para, eu cheguei pertinho para mostrar, a ponte desabou", contou.
Weverton contou ainda o que se lembra do momento da queda. Ele chegou a cair no fundo do rio e se agarrou à própria estrutura que desabou para não voltar a afundar.
Feridos do acidente são Edinaldo Muniz, Edinei Muniz, Weverton Murieta e Antônio Morais Filho
Reprodução
"Eu desci direto para o fundo do rio, encostei no fundo do rio, consegui boiar debaixo da ponte, fiquei procurando um canto, nadando debaixo da ponte. Subi em cima da ponte de novo, que estava arriada", disse.
Antônio Morais foi um dos feridos em estado gravíssimo, com traumatismo. Ele foi transferido para a capital, assim como os irmãos, Edinaldo e Edinei Muniz. Ainda não há atualização do estado de saúde neste sábado (6).
Weverton Murieta relatou ainda que viu Antônio ferido e conseguiu gritar por socorro. "Eu corri em cima da ponte procurando o meu amigo, vi ele deitado, tinham uns ferros nele. Vi que estava respirando e comecei a gritar 'socorro, socorro'", acrescentou.
Leia, na íntegra, a nota da Construtora Cidade
NOTA OFICIAL
A Construtora Cidade manifesta sua solidariedade às pessoas atingidas e aos seus familiares em decorrência do colapso da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), ocorrido na última sexta-feira (05/06/2026).
A empresa informa que a ponte foi construída com observância à técnica e às normas vigentes da engenharia, tendo sido recebida pelo DERACRE ao final de 2023 e permaneceu em operação regular desde então, sem registro anterior de anomalias estruturais que indicassem risco à sua estabilidade.
Há cerca de uma semana, equipes técnicas passaram a observar sinais de instabilidade no terreno da região onde a ponte está inserida. Esses sinais evoluíram rapidamente nos dias seguintes, com o surgimento de rachaduras, deslocamentos de solo e desníveis em diferentes pontos da área no entorno da ponte.
Diante desse cenário, a Construtora Cidade mobilizou profissionais especializados das áreas de engenharia estrutural, fundações e topografia para avaliação das condições locais. Os levantamentos preliminares realizados em campo identificaram movimentações significativas de solo em uma área muito mais ampla do que a própria ponte, abrangendo aproximadamente 16 mil metros quadrados e alcançando também áreas adjacentes do bairro localizado nas proximidades.
Com base nas informações técnicas disponíveis naquele momento, a empresa encaminhou ao DERACRE, na quinta-feira (04/06/2026), por volta das 13 horas (horário do Acre), recomendação formal para a interdição total da ponte, inclusive para o trânsito de pedestres, diante do risco identificado por suas equipes.
As avaliações preliminares apontaram indícios compatíveis com processo de instabilidade geotécnica conhecido como fenômeno de "terras caídas", caracterizado por movimentações de grandes massas de solo associadas a processos erosivos e às variações naturais dos níveis dos rios. A identificação desses indícios foi um dos fatores que motivaram a recomendação imediata de interdição da estrutura.
A ocorrência do fenômeno natural, extraordinário e imprevisível de "terras caídas" pode, dependendo da dimensão, ocasionar a ruptura da estrutura de obras viárias, como o ocorrido na Ponte do Frei Paolino Baldassari.
A Construtora Cidade ressalta que mais estudos técnicos estão sendo realizados pela equipe contratada, composta por especialistas de reconhecida experiência nacional nas áreas de geotecnia, hidrologia, estruturas, fundações e topografia.
A empresa permanece à disposição dos órgãos públicos, da imprensa e da sociedade para prestar todos os esclarecimentos necessários, reafirmando seu compromisso com a segurança das pessoas, com a engenharia responsável e com a busca rigorosa da verdade técnica sobre os fatos.
Construtora Cidade
Junho de 2026