Justiça revoga prisão de dois jogadores do Vasco-AC suspeitos de estupro em alojamento
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Alex Pires Júnior e Matheus Silva, do Vasco-AC, devem ser soltos nesta terça-feira (10) em Rio Branco
Arquivo/Jhon Lennon e Sueli Rodrigues
Quase um mês após se entregarem à polícia, a Justiça do Acre aceitou um pedido da defesa e decidiu soltar os jogadores do Vasco-AC Alex Pires Júnior e Matheus Silva, suspeitos de estupro coletivo contra duas mulheres dentro do alojamento do clube no dia 13 de fevereiro, em Rio Branco.
👉 Contexto: Os atletas da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) são investigados pelo estupro de duas mulheres dentro do alojamento do clube. O caso resultou na prisão em flagrante de Erick no dia 14 de fevereiro e na decretação de prisão temporária dos outros três no dia 17 daquele mês. No início deste mês, a Justiça havia negado liberdade aos suspeitos. Todos eles negam o crime.
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Alex e Matheus devem sair do presídio ainda nesta terça-feira (10). O Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) confirmou que o juiz da Vara Estadual do Juiz das Garantias, Marcos Rafael Maciel de Souza, atendeu ao pedido da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para revogar as prisões temporárias dos dois jogadores pela falta de provas.
Com relação a Erick Luiz Serpa Santos Oliveira e Brian Peixoto Henrique Iliziario, ambos seguem presos, sendo que Erick está detido preventivamente e Brian teve a prisão convertida em preventiva. Ambos estão no Complexo Penitenciário da capital.
"Saiu a decisão e estou aguardando o alvará de soltura, mas já estou indo para a unidade prisional buscá-lo. Do Matheus também saiu, vai ser solto junto com o Alex. O Brian e o outro jogador seguem presos preventivamente", confirmou ao g1 o advogado de Alex, Robson Aguiar.
No Acre: quatro jogadores do Vasco-AC suspeitos pelo crime de estupro já estão presos
A Polícia Civil confirmou que a Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) concluiu o inquérito e indiciou Brian e Erick pelo estupro das duas mulheres. Na mesma decisão, a Polícia Civil concluiu pelo não indiciamento dos demais.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário nessa segunda-feira (9). “O relatório final da delegada Elenice [Frez] foi crucial para que o juiz concedesse a liberdade que a gente já havia pedido anteriormente”, complementou o advogado Robson Aguiar.
Denúncia
O caso foi registrado na Deam em 14 de fevereiro, menos de um dia após o crime. À época, o delegado Alcino Souza, que estava de plantão, informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência e foram encaminhadas para atendimento médico.
As vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. Ainda conforme a polícia, as mulheres foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas aos abusos posteriormente. "Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação", resumiu o delegado.
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Com exceção de Erick, preso ainda no dia 14 de fevereiro, os outros três jogadores tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 15.
No dia 17, os três jogadores se entregaram à polícia. O primeiro a se entregar foi Alex (Lekinho), que foi até a Delegacia de Flagrantes (Defla), acompanhado do então treinador Eric Rodrigues e do advogado Robson Aguiar. Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario foram até a Deam com o advogado Atevaldo Santana.
No dia 19, o Vasco-AC fez sua estreia na Copa do Brasil na Arena da Floresta, em Rio Branco, e acabou eliminado pelo Velo Clube nos pênaltis. Antes da bola rolar, no entanto, o time acreano chamou atenção ao entrar em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro atletas presos.
Contudo, a ação foi repudiada em conjunto, pelos ministérios das Mulheres e do Esporte, que classificaram como 'inaceitável' a homenagem.
Ministérios repudiam homenagem a jogadores presos suspeitos de estupro coletivo no AC
O gesto dos atletas também é investigado pelo MP-AC. Além da ação, o órgão também vai fazer investigação própria sobre a denúncia de violência sexual e vai analisar se houve possível omissão da justiça desportiva do estado.
Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações.
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