Rio Juruá ultrapassa 14 metros e aumenta no número de desabrigados em Cruzeiro do Sul
03/04/2026
(Foto: Reprodução) Cheia do Rio Juruá: sobe para 19 mil nº de atingidos no interior do Acre
O constante aumento do nível do Rio Juruá, que registrou 14,10 metros nesta sexta-feira (3), já afeta mais de 20 famílias em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O manancial teve um aumento de 14 centímetros em comparação ao dia anterior. Ao todo, 21 famílias estão em abrigos montados pela prefeitura ou em casa de parentes.
Outras três estão em casas de parentes, ou seja, desalojadas. Ao todo, 4.991 famílias e 19,6 mil pessoas são afetadas pela cheia que atinge, direta ou indiretamente, são 12 bairros, 15 comunidades rurais e três vilas. A Defesa Civil Municipal acompanha esses moradores com assistência.
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A cota de transbordo é de 13 metros, marca que foi ultrapassada na última segunda-feira (30).
As famílias desabrigadas estão nas seguintes escolas:
Escola Municipal Rita de Cássia, bairro do Cruzeirão - 10 famílias;
Escola Municipal Corazita Negreiros, bairro Cobal - cinco famílias;
Escola Municipal Padre Arnoud, bairro Nossa Senhora das Graças - cinco famílias;
Escola Municipal Thaumaturgo de Azevedo, bairro do Alumínio - uma família.
Rio Juruá atingiu 14,10 metros nesta sexta-feira (3)
Carla Carvalho/Rede Amazônica Acre
Já as outras três famílias foram para casa de parentes. Ao todo, 90 pessoas estão desabrigadas e instaladas nos locais disponibilizados pela prefeitura, com capacidade para receber 27 famílias.
A remoção dos moradores teve início na tarde da última terça (31). No abrigo é fornecido café da manhã, almoço, jantar e atendimento social. Além da remoção para os abrigos, também foi feita a suspensão da energia elétrica para 323 famílias.
Foram definidos como abrigos pela prefeitura, caso o número de desabrigados continue subindo:
Escola Rita de Cássia, no bairro Cruzeirão;
Escola Marcelino Champagnat, no bairro João Alves;
Escola Padre Arnould, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças;
Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo; e
Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal.
Remoção das famílias teve início na última segunda-feira (31), em Cruzeiro do Sul (AC)
Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul
As aulas nestas unidades serão suspensas assim que começarem a receber as famílias atingidas pelo aumento das águas.
A Defesa Civil informou ainda que os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso também apresentam elevação no nível das águas:
Os locais atingidos pelas águas na zona urbana são: Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro, Centro e Boca do Moa.
Já as comunidades rurais afetadas são: Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz, Lago do Sacado, Simpatia, Ramal do Escondido, Boca do Moa, Tatajuba, Mujú e Uruburetama.
As vilas afetadas são: Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.
Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.
Cheia do Rio Juruá atinge 12 bairros, 15 comunidades rurais e três vilas em Cruzeiro do Sul (AC)
Carla Carvalho/Rede Amazônica Acre
Cheias recentes
No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, o que correspondia a, aproximadamente, 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o manancial saiu do cenário de alerta máximo.
Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros e também manteve o município em alerta máximo, segundo a Defesa Civil Municipal.
No final de março, o Rio Juruá em Cruzeiro do Sul transbordou pela 4ª vez em 3 meses
Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul
Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia. Ao todo, 1.650 famílias enfrentaram prejuízos causados pela inundação, tanto na zona urbana quanto na zona rural do município.
Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro e a publicação foi feita seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural.
A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais.
VÍDEOS: g1